sexta-feira, 14 dezembro, 2018

Fala galera!!

 

Seguimos com nossa introdução ao RPG. Hoje falaremos sobre criação de  personagem.

 

Buscamos jogar RPG porque estimula nosso lado lúdico. Mas o que significa isso?

 

Uma atividade lúdica tem como objetivo produzir diversão durante sua execução, o que nos retorna uma gama enorme de possibilidades. O lúdico nos acompanha desde o nascimento da civilização humana, contribuindo muito para memorização e favorecendo a cognição através de ensinamentos dos filósofos gregos aos seus aprendizes. O RPG é cada vez mais visto como uma atividade didático-pedagógica, já que ao jogar, cooperamos, somos testados e alcançamos objetivos.

 

Pensem em uma sociedade onde todos são treinados nos pontos citados…É um sonho, não é mesmo? A cooperação levando todos a prosperar e não a esse reino de egoísmo que vemos todos os dias.

 

Enfim, basta de filosofar. Essa realidade existe dentro dos nossos mini-universos – Os cenários. Não é uma regra utilizar um cenário de fantasia, uma aventura pode ser formada utilizando política, geografia e história do mundo real, vale a vontade de cada um. Se preferir um cenário fictício, os três aspectos citados são fundamentais para criar seu personagem e situá-lo na aventura.

 

Ao criar a aventura, o mestre vai fornecer: Breve introdução da história, sistema utilizado e o cenário. Utilizando esse prelúdio, podemos começar a montar esse novo ser vivo, que será interpretado por você. Existem vários guias na internet, vou elaborar este baseado na forma como funciona pra mim, o que não necessariamente funcionaria para todos, mas pode ser usado como base.

 

HISTÓRIA

Terra Média – Cenário repleto de história, política e com geografia rica. Elaborada pelo mestre Tolkien

Gosto muito de pesquisar a história do cenário fornecido, para entender como funcionou o mundo até o jogo. Muita gente despreza a matéria de História na escola, mas ninguém pode negar que a mesma nos levou até aqui e tudo o que aconteceu, é raiz da sociedade atual. Algumas vezes o conteúdo é tão extenso que te levaria semanas para ler tudo, mas basta focar em um local específico. Não sabemos todos os acontecimentos de um estado vizinho, não é mesmo? Não seja uma enciclopédia ambulante do cenário, isso atrapalha a diversão.

 

Pensando de uma forma micro na história: “O que levou essa cidade ser super desenvolvida tecnologicamente?” “Por quê esse monarca está há tantos anos governando?”, “Quais são as guildas da cidade?” “Por que essa taberna atrai tantos estranhos?” “O que me fará abrir a porta da minha casa e me aventurar com estranhos por lugares desconhecidos?” Tudo que funciona pra justificar os motivos do seu personagem, a forma como ele vê o mundo e a realidade ou condições em que ele vive, é válido. Da própria história pode surgir uma motivação – “Orcs invadiram minha casa e levaram minha irmã”. – Um belo de um motivo para buscar um grupo de aventureiros e resgatar sua irmã. Eu não procuro dificultar na história ou background, para usar o termo mais comum. As consequências de nossos atos é que trazem as dificuldades, às vezes o motivo é simples e claro.

 

PERSONALIDADE

 

Jessica Jones – Introspectiva, afetada e alcoólatra. Exemplo de características marcantes em uma personagem

A maneira que você foi criado, a convivência com outras pessoas ou experiências formaram seu caráter e moral, não é mesmo? O mesmo aplica-se a um personagem fictício. Imaginar traços comportamentais, qualidades e defeitos faz parte da criação e vai interferir diretamente no seu roleplay. Segredos, medos ou fobias só temperam e dão mais vida à sua criação. Eu costumo buscar comportamentos diferentes do meu, por gosto. Algumas vezes é difícil ser nós mesmos, por que não tentar ser outro indivíduo para conhecer como ele lidaria com o mundo, ou como o mundo o desafia? Acredito que isso nos deixa mais humanos. Se tem dificuldade em desenvolver isso, peça ao mestre criar um modelo de personalidade para você, como desafio. Isso ajuda e muito na sua habilidade de jogador. Sair da zona de conforto ao interpretar.

 

 

ATRIBUTOS

 

 

 

Rocky Balboa – Sabedoria e Força altos, inteligência nem tanto. Como ele próprio fala no filme, o negócio dele não é falar, mas sim lutar.

A configuração de atriutos varia entre sistemas, mas é outro pilar importante na formação do seu personagem. Ele treinou com monges que o encontraram abandonado em uma floresta, a vida toda? Teria atributos de força e destreza diferenciados, é claro. Mas o fato de só conhecer monges que tem um código muito disciplinado de conduta, dificultaria interações sociais fora do monastério. O grande barato é saber balancear sua história, personalidade e atributos. Um personagem com carisma alto, teria muita facilidade de comunicar-se e conquistar as pessoas, isso pede que o jogador interprete dessa forma. Não faz sentido um personagem de força baixa e carisma alto querer sair batendo em todos em uma taberna, mas sim, por meio da lábia livrar-se de enrrascadas.

 

 

 

 

A JORNADA DO HERÓI

 

Muitos filmes, séries, livros e mitos da cultura pop utilizam a jornada do herói como base da formação de personagens. É um algorítimo que funciona muito bem para desenvolvimento de um herói.  Segue abaixo a sequência para adequar sua criação nessa nova realidade:

 

1) Mundo Comum

 

Personagem vive uma rotina comum, sem aventuras, somente os desafios do dia-dia. Como Mr.Anderson (Neo) em Matrix

 

2) Chamado à Aventura

 

O momento da história em que o personagem principal encara um aviso, uma mensagem, um convite. Luke Skywalker encontrando Obi-Wan em A Nova Esperança

 

3) Resistência ao chamado

 

Como se não aceitasse a mudança e quisesse continuar com a vida como era antes, o personagem resiste ao chamado de aventura. Bilbo resistente em acompanhar os anões e Gandalf em O Hobbit.

 

4) Encontro com o Mentor

 

O herói encontra um personagem-chave da história que irá ajudá-lo no cumprimento de sua tarefa.

Mestre Miyagi ensinando Daniel San a encerar o carro, pintar a cerca e etc.

 

5) Cruzamento do Limiar

 

Lembram da frase do Sam no Senhor dos Anéis? “Se eu der mais um passo, estarei o mais longe de casa que jamais estive”.  É quando o herói aceita seu destino e o enfrenta, começando a transformação em um protagonista.

 

6) Testes, Aliados e Inimigos

 

Agora na vida do herói mais dificuldades são cada vez mais presentes. Nesse momento o personagem pode conseguir aliados para sua batalha, ou então ser preparado, pelos inimigos que encontra, para desafios maiores que ainda estão por vir. Harry Potter conhecendo seus amigos Rony e Hermione e passando por vários desafios na escola de Hogwarts.

 

7) O desafio

 

Ainda em desenvolvimento como herói e lutando contra seus próprios princíos o herói é desafiado e colocado a prova.

Luke enfrentando seu próprio pai, Darth Vader.

 

8) Provação

 

A morte de Mr.Anderson para tornar-se Neo no primeiro filme de Matrix é um ótimo exemplo de provação.

 

9) Recompensa

 

A transformação do herói em um novo personagem. Mais maduro, forte e experiente depois de superar o desafio e sair vitorioso. McClane salvando os reféns e sua mulher no final de Duro de Matar

 

10) O Caminho de Volta

 

Em teoria o momento de relaxamento pós-vitória, mas que é atrapalhado por um último novo desafio.

O final da trilogia de O Senhor dos Anéis, nos livros, indica muito isso. Os hobbits voltando vitoriosos do Sul para encontrar seu querido condado sob ameaça.

 

11) Ressurreição

 

É chegada a hora da batalha final em que se o herói perder não haverá outra chance, ou terá glória certa se o inimigo for derrotado. Quando estamos acompanhando esta parte da história, quase sentimos as próprias emoções do personagem. Muita tensão. O herói cumpre o vence final e volta ao seu mundo comum transformado pelas experiências que teve.

David salvando as reféns no final de Corpo Fechado e aceitando sua nova realidade, como herói.

 

12) Liberdade para Viver

 

Enfim, a plenitude. Após a vitória um período de paz. Que pode ser destruído por outra jornada do herói, quem sabe?

 

Seguir a Jornada do Herói é garantia de sucesso para qualquer personagem. Se tiver com dúvidas criativas, espelhe-se nesse simples modelo, que já vimos funcionar incontáveis vezes.

 

Na área de comentários, falem sobre os personagens favoritos com que já jogaram, mencionando também cenário e sistema.

 

Hoje ficamos por aqui, próximo tema: Mestrando Aventuras.

 

Um abraço!

Tags: , , , , , , ,
Engenheiro de Produção, esposo da Lívia, pai do Heitor, atualmente mexicano. Gosto de cozinhar saboreando uma cervejinha, não tenho paciência para nenhum livro que não seja de ficção e sou amante declarado de RPG
Estamos ON!
Estamos OFF :(