sexta-feira, 14 dezembro, 2018

Fala galera!

Esse é o segundo post da série de Introdução ao RPG. Hoje iremos falar sobre:

 

Como começar a jogar um RPG de mesa?

 

Antes de falarmos da teoria, gostaria de compartilhar uma experiência:

Nesses anos todos jogando, percebi que a principal variável para você começar a jogar é, pasmem, tempo.

 

Vou listar alguns requisitos para que você tenha idéia de como é configurada uma mesa:

 

  • O sistema, que apresenta as mecânicas e regras que serão utilizadas durante a sessão.
  • O cenário, que ambienta os jogadores e seus personagens apresentando: Criaturas, cidades geografia,línguas, raças, classes, história, política (praticamente um outro universo).
  • É necessário um mestre. Não precisa ser uma pessoa com total conhecimento no sistema ou cenário, mas que tenha disposição de criar uma história e narrá-la. Criar personagens do mestre (NPCs), conflitos, missões, sub-missões, artefatos exige uma certa preparação dependendo do nível de complexidade da história. Não existe um tempo definido de quanto essa pessoa deveria investir preparando a aventura, pois depende de outros fatores, como experiência por exemplo. Considere que o mestre vai precisar de mais tempo disponível na do que os jogadores, já que é responsável por arquitetar o entreterimento.

    Exemplo de dados utilizados

  • Jogadores. Não existe um número fixo, isso depende da escolha do mestre. A média são 3 jogadores. Tenha em mente que ter mais pessoas influi e muito no andamento do jogo. Se não houver respeito e organização, não existe diversão.
  • Dados. Dependendo do sistema, a quantidade de dados e seus respectivas faces. Como por exemplo D20, D12, D10, D8, D6, D4, etc.
  • Fichas do sistema impressas (ou digitais).
  • Mapas (opcional). Desde mapas de regiões inteiras até uma cidade ou dungeon.
  • Grid de batalha (opcional). Excelente pra situar os jogadores durante o combate e acompanhar as mecânicas do sistema para movimento e táticas.
  • Figuras (opcional). Representa o tamanho dos personagens ou monstros durante uma batalha, funciona melhor com o grid.
  • Gordices. Não preciso explicar isso.

Entretanto, para chegar a jogar um jogo de RPG, se faz necessária a organização. Com que frequência vamos jogar? Onde? Duração? Podem acreditar, muitas mesas já morrem nessas primeiras perguntas, dependendo da variável tempo que já comentamos no post anterior. Se você está com horários complicados, reflita se é possível comprometer-se com uma campanha, se não é o caso de buscar outras formas de jogar RPG como já vimos ou simplesmente uma one-shot (aventura que acaba no mesmo dia).

 

Quais são os sistemas mais indicados para começar a jogar?

 

 

Existem sistemas que independem de cenários e são totalmente mutáveis como GURPS ,DAEMON e FATE. Outros, já estão vinculados a um cenário. Medieval, moderno ou cyberpunk, por exemplo. Jogue pelo que ativa sua criatividade, o lado lúdico..

 

Os mais conhecidos são:

 

  • D&D. O primogênito. Possui vários cenários lançados como Forgotten Realms, Dragonlance, por exemplo. O D&D evoluiu muito nos últimos anos, até chegar na 5ª edição que vem sendo muito elogiada pela simplificação de várias regras. O Pathfinder, bastante famoso também, surfou na onda do D&D 3.5 melhorando algumas mecânicas e trazendo mais conteúdo. Tem base de dados online e gratuíta.
  • GURPS. General Universal Role Playing System. A idéia é sensacional, adaptar o sistema a qualquer cenário. A prática revela um jogo com mecânicas mais demoradas, cheio de cálculos e leitura de regras, não indico para novos jogadores.
  • Storyteller. Totalmente focado em interpretação, muito famoso por ter Vampiro, A Máscara; Lobisomem, O Apocalipse; Mago, A Ascensão (todos parte do WOD, World of Darkness). Confesso que nunca joguei esse sistema, mas coletando feedback de quem tem muita experiência: Interpretar bem uma ação, dependendo do mestre, pode significar que não é necessária a rolagem de dados para seu sucesso. O fato do jogo depender mais da sinergia do jogador com seu personagem, traz um sistema de rolagens um pouco complexo, já que isso não é o foco do jogo. Se você ainda se sente retraído ao interpretar, busque jogar esse sistema com um pouco mais de experiência.
  • Shadowrun. Cyberpunk raíz, criado em 1989, com regras bem fáceis e um cenário apaixonante, pra quem gosta do gênero. Inteligência artificial, futuro cibernético e até criaturas mágicas fazem uma mescla perfeita de cenários futurista, criminalidade e magia.
  • Daemon. Criado por brasileiros, é um sistema livre como GURPS. Nos últimos anos, as regras foram bastante simplificadas estando mais amigáveis a novos jogadores.
  • Call of Cthulhu. Baseado na obra de H.P. Lovecraft é um exemplo de sistema acompanhado de cenário. Em resumo, os jogadores são investigadores (policial, jornalista, escritor são exemplo de ofícios) buscando solucionar um mistério enquanto lutam para manter a sanidade com os horrores que encontram. Não é indicado pra que não gosta do gênero de horror. O sistema funciona muito bem, utilizando porcentagem para determinar sucessos e desenvolvimento de personagem.

Existem centenas de sistemas e cenários, não vou listar todos aqui. Como comentei, para iniciantes, indicaria qualquer um que desperte seu interesse e venha com uma aventura pronta, o que facilmente insere a todos no cenário utilizado, já testando a mecânica do sistema. Os cenários mais famosos estão bem difundidos na cultura pop: Star Wars, Senhor dos Anéis, Game of Thrones, Matrix, Blade Runner, animes, entre outros.

 

Se sua criatividade está explodindo na cabeça, sinta-se livre para criar cenários e utilizar os sistemas adaptáveis. Isso só enriquece ainda mais a sua campanha e te dá total controle da criação, sem necessidade de preocupar-se com acontecimentos canônicos. Tolkien criou línguas, raças e até um gênesis, inspiração não falta, não é mesmo?

 

No próximo post irei falar um pouco mais sobre cenários e criação de personagens.

 

Qual seu sistema favorito? Comentem abaixo =)

 

Um abraço!

Engenheiro de Produção, esposo da Lívia, pai do Heitor, atualmente mexicano. Gosto de cozinhar saboreando uma cervejinha, não tenho paciência para nenhum livro que não seja de ficção e sou amante declarado de RPG
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