sexta-feira, 14 dezembro, 2018

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Jorge – parte 1.

 

O azul sempre a acalma. De todas suas tonalidades, mais escuras, mais claras, variando com as correntes marítimas que se movem como o sopro do próprio Poseidon.

Serena estava despojada em um de seus aposentos secos e enxergava o fundo do mar através dos vidros ornamentados das janelas dali. Uma grande garoupa pára por um instante junto ao vidro, testando com sua boca o gosto estranho da superfície vítrea e, sem compreender muito bem, seguiu seu caminho. Serena se levantou de suas almofadas coloridas e confortáveis. Não trajava nada mais que suas adoradas jóias e pérolas e um fino vestido verde, que deixava bem a vista seu belo corpo de curvas insinuantes.

Atravessou o luxuoso aposento de mármore branco e azul, com detalhes de dourado, lembrando os seres do mar. Foi até uma mesa sobreposta à uma bancada e se serviu de uma bebida turquesa que a fez sorrir ao provar. Olhou de relance ao espelho de prata que estava na altura de seu busto na parede oposta e se aproximou dele. Seus olhos verdes esmeralda brilhavam como jóias, sua pele branca de leve tom azul-perolado era macia ao ponto de se perceber com o olhar. O rosto em forma de pêssego era bem emoldurado por cachos de uma cabeleira negra bem arrumada em presilhas feitas de conchas do mar.

” Não há nada mais belo em todos os sete mares. Sou ainda a flor de Atlântida e nada é tão belo neste mundo ou em qualquer outro.” – pensou.

Ela sorriu vaidosamente quando ouviu o sino de anúncio que alguém desejava entrar em seu quarto.

– Entre.

Uma figura feminina delicada e acanhada, trajando vestido simples azul, entrou no aposento. Era um palmo menor que Serena e, mesmo sendo uma filha d’água, era totalmente ofuscada pela presença de Serena.

– Mãe D’Água, ele acordou. Pediu para que avisasse quando…

– Eu sei o que pedi, Marina. Como está seu ferimento? – perguntou com um certo tom de preocupação na voz.

– Está se recuperando bem e rapidamente, senhora. – Marina respondeu.

– Deixe-o confortável. Irei vê-lo em breve. E só?

– Errr…não, Mãe D’Água. General Galdus informou que ainda estão procurando pelo convidado, senhora. Ele avistou pelo menos quatro celestes em sua busca. – respondeu tímida.

– E porque ele não veio pessoalmente me dar esta notícia?- respondeu acompanhado de um olhar desaprovador.

– Então senhora, ele pediu para lhe transmitir o recado pois ainda se encontra na guarda dos limites, vigiando para que os estrangeiros não encontrem nossos caminhos…

Serena relaxou o olhar. Sorriu ao ver sua taça de bebida turquesa e viu o reflexo de seus olhos na superfície do líquido.

– Desnecessário. Enquanto eu for o mar, ninguém virá até nós, a não ser que seja minha vontade. Mande Galdus ir até ao Salão de Corais para recepcionar nosso convidado especial. Quero apresentá-lo à corte.

– Mas Mãe D’Água…você não disse que iria vê-lo? Pensei que fosse até os aposentos onde ele está…

Serena levanta uma de suas sobrancelhas e foca o olhar felino em Marina, que sente seu estômago virar ao perceber que pode ter ido longe demais.

– Não que seja da sua conta Marina, mas eu não disse se iria vê-lo antes de apresentá-lo ou não. Atenha-se ao que lhe pedi, se não for demais. Repetindo, deixe-o confortável e comunique Galdus meu desejo. Pode ir.

Marina não pensou duas vezes e tratou de sair o mais rápido e polido que pôde.

Serena se levantou e foi ao espelho mais uma vez. Olhou bem seu reflexo perfeito e sorriu .

“Sou ainda pérola mais linda. Pena que meu pai discordaria. Um tanto pior…quem se importa com a opinião de um rei caído!”

Do lado de fora do quarto, nas águas do mar, pôde se ouvir o som das gargalhadas abafadas de Serena.

 

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