sexta-feira, 14 dezembro, 2018

Dia 09/11 vai começar aqui no canal uma campanha de Deadlands – Oeste Sem Lei. Para que você vá se adaptando aos personagens, vamos liberar semanalmente os backgrounds de cada um deles, escritos pelos próprios jogadores. O segundo é de um homem santo, embora só tenha descoberto isso tarde na sua vida…

Prólogo

A sala era espaçosa, o som do piano ao fundo no andar debaixo era suave. O homem a minha frente pegou um bocado de papel e colocou na mesa.

– Whisky senhor? – perguntou com a voz calma – Sei que o senhor gosta. Outro copo para o rapaz? – fiz que sim com a cabeça e ele serviu a bebida para Steve.

– Senhor Robert Bishop, temos por alto algumas informações, a Agência decidiu lhe chamar para conversar. – fez uma pausa – Gostaríamos de saber sua história, completa, por favor. – Olhei para Steve, ele sorriu, pois saberia a história completa, não contada rápida, pois no dia uma visitinha dos filhos da puta, desculpa Deus, de algumas Abominações.

– Ok sr. John, pegue uma dose também, sente-se, pois vamos lá…

Leia mais sobre o cenário aqui: Deadlands – Um cenário de faroeste mágico

Meu nome é Robert “Three Fingers” Bishop, tenho 65 anos, embora aparente mais. – tomei uma dose – Sabe filho, uma vida de matança e vingança cobra sua idade, mas tudo bem. Nasci e cresci no Colorado. Minha mãe era uma boa mulher, que Deus a tenha em um ótimo lugar, porém meu pai… – pararo um segundo, tomoi um longo gole do whisky. Steve faz o mesmo, o garoto havia pego gosto pela bebida – Aquele filho da puta, perdoe Deus, partiu para a “corrida do ouro”, eu achava que era ouro mesmo, contudo descobri que tal “ouro” eram essas malditas Rochas Fantasmas”.

– Cresci com minha mãe Margareth, até os 5 anos com o sr. Bishop. – pego um cigarro, o agente não fez menção de interromper. Acendo, dou uma longa tragada. A fumaça saiu de minhas narinas – Ele foi embora, deixando uma boa mulher e uma criança, sozinhos para tocar um rancho. Vivíamos do que plantávamos. Nossas verduras não eram vistosas, nossa vaca dava pouco leite e mesmo assim tentamos nos virar. Mas você sabe como é as coisas por aqui, mulher bonita, “solteira”, é cobiçada. Ainda mais quando seu pai faz inimigos e não os matam, eles voltam para cobrar. – novamente tenho que me recordar daquele evento.

Tomo um gole – Os desgraçados vieram até a casa de minha mãe. Eu havia ido ao rio me refrescar, o trabalho foi duro aquele dia. Ouvi o grito e fui correndo. Quando cheguei, só vi os homens ao longe e minha finada mãe, espancada, violentada e morta. – respiro, o agente enche nossos copos, faz uma reverência ao céu em homenagem a minha mãe, bebemos todos ao mesmo tempo. – Na parede estava em sangue “Troy Mão Negra deixou um aviso sr. Bishop”.

– Enterrei-a onde hoje é o cemitério da minha igreja e parti com o lema que minha mãe sempre falava: “Seja justo e faça justiça”, era isso que eu iria fazer justiça. – me arrumo na cadeira, olho para Steve, o garoto está pensativo, comovido novamente com minha história, empurro o copo para ele, pousou os olhos azuis em mim. Pega o copo e analisa por um breve momento, bebe. – Em meio a essa busca, encontrei com Paul Skull, um caçador de foras da lei, que mais tarde descobri que também caçava os Manitous e Algozes.

– O sr. Skull – disse John – Ele é um dos nossos homens, por isso tivemos informações sobre o senhor.

– Imaginei que havia o dedo daquele velho. – sorri – Ele me ensinou tudo e me deu um conselho “Robert, quando sair para uma vingança, cave duas covas, uma para seu inimigo e outra para você.”

– Dito isso foi embora, foram bons meses de treino, ele havia sido mais próximo de um pai que tive. Com isso, passei a fazer pequenos trabalhos no Colorado como caçador de foras da lei. Fui adquirindo conhecimentos, treinando o manejo de minha Colt 45, para quando encontrasse Troy o matasse. – olho para mão esquerda, meus três dedos faltando, o agente percebeu meu olhar. Acende um cigarro para ele. – Cacei aquele filho da puta, é Deus, terei que rezar muito hoje; mas ele tinha uma sorte dos infernos.

– Até que conheci sua puta preferida, Sabrina Trevis, uma jovem muito fogosa, de espírito forte e que queria acabar com ele. Depois de uma ótima transa, embora hoje ela não faz mais isso e tão pouco eu, conversamos e armamos um plano para acabar com Troy. Deu tudo errado rapaz, esse meu erro custou três dedos. – Steve olha atentamente – Troy de alguma forma sabia o que iríamos fazer – suspiro.

– Um detalhe que ia me esquecendo, quem me deu a informação de como encontrar Troy, que estava no Kansas, foi o sr. Bishop. Sim, antes de encontrar o maldito mão negra, obtive informações de um homem que estava fazendo fortuna com a Rocha Fantasma em Iowa e que havia deixado sua vida pobre no Colorado. Uma fortuna mesmo, acredite, parecia que ele estava possuído por algo. Contei minha história para ele, e não deu a mínima atenção e partiu para cima de mim com tal violência nunca antes vista, em seus olhos percebi um brilho avermelhado. A luta foi complicada, no fim encerrei com um tiro em sua testa. No entanto meu “meio-irmão” viu tudo. Antes de sair, olhei em seus olhos e disse “Quando crescer venha me matar se conseguir”. Deus, por que fiz isso? Como se não bastasse tudo que caço e persigo, ainda sou perseguido por este rapaz que aparentemente se tornou algo não humano. – acendo outro cigarro – Voltando ao Troy. Sai de Iowa com uma considerável grana e parti para o Kansas.

– No quarto com Sabrina, Troy desconfiou de algo e agilmente me pegou. A luta foi fácil para ele. Dominou e chamou seus homens. Amarraram-me, espancaram tanto eu quanto Sabrina. Eu gritava para não a machucarem, mesmo assim a espancaram, até que um de seus homens teve a “brilhante” ideia de querer quebrar os dedos dela. Urrei que não fizessem isso, que eu havia coagido ela. Todavia ela não pode argumentar de tão machucada que estava. Que ao invés de quebrar-lhe os dedos, quebrassem os meus – outro gole de whisky – Um homem deve respeitar a honra e também as mulheres, minha mãe havia me ensinado bem isso. Outro infeliz do bando dele sugeriu que cortassem todos os meus dedos. Troy gostou de tal sugestão, no entanto cortou três dedos com seu cortador de charutos, logo em seguida cauterizou em uma Rocha Fantasma que ali estava – coço os três tocos dos meus dedos.

– Até hoje ouço o som de risada saindo daquela maldita rocha. O filho de uma rapariga antes de sair deu-me um recado “Quando for um homem de verdade, vamos nos enfrentar”, saiu deixando Sabrina desacordada e eu ali com toda minha dificuldade cuidamos dela junto com as outras moças que gostavam dela. – pego um copo de whisky e brindo a elas – Hoje respeito a profissão delas, além de trabalhadoras, quando simpatizam com você, elas o acolhem, foi o que fizeram. Fiquei alguns meses prestando serviços gerais. Não, não era sexo e sim pequenas manutenções, limpezas, etc, até recuperar-me por completo. Quando saí do Bordel das Três Luas, Sabrina já não tinha mais hematomas e tão pouco marcas. O mais estranho que nesse período, Troy e seus homens não apareceram. – levanto-me para esticar as pernas, o agente faz o mesmo. Caminho até a janela. A pianista toca uma música calma, uma ruiva muito bonita, vestida com um corpete azul e saia longa.

– Samanta é uma de nossas agentes, nas horas “vagas” gosta de relaxar tocando piano. – Steve olha para ela com olhar lascivo. – Já lhe disse rapaz, não olhar para as mulheres assim. Sem jeito ele respira fundo voltando a sentar-se. – Encontrei Paul mais uma vez, contei-lhe tudo. Este teve paciência de treinar, porém dessa vez a minha mão direita. Entre práticas de luta, tiro e descanso, me ensinou também as Sagradas Escrituras.

– Paul é um exímio pistoleiro e também um homem devoto – disse o agente.

– Sim, minhas instruções religiosas vieram boa parte dele, antes de minha mão e após aprendi um pouco com o passar dos anos. – volto e me sento – Saímos a procura de Troy. O sr. P também o queria morto, já que este era um fora da lei. Saímos ao seu encontro, Paul era muito rápido no gatilho, abatendo os homens da mão negra um a um, deixando-me a cargo do desgraçado. Quando nos encontramos, ele se lembrou de mim, sorriu. Outra vez reparei o brilho avermelhado em seus olhos; primeiro o sr. Bishop, agora ele, na época achei que estava vendo coisas, hoje sei que não. Mesmo sendo um filho da puta; mais uma oração Deus, farei todas; aceitou o duelo. – pego mais um copo de whisky, bebo num gole. – Saímos na rua, todos nos olhavam sérios, nos posicionamos, fiz uma prece rápida “seja feita a sua vontade”. Naquela época eu era mais ágil, hoje tenho mais manejo na arma. Saquei tão rápido minha arma que deixei todos espantados, desarmei-o. Pude ver o desespero e o terror em seus olhos, o segundo tiro foi certeiro em sua testa. Todos os presentes ficaram em silêncio, abriram espaço para Paul e eu passarmos. Ali me despedi dele e seguimos caminhos diferentes. – paro de falar, olho para o agente, Samanta canta uma música bem propícia para o momento:

“Carry on, my wayward son, There’ll be Peace when you are done, Lay you weary head to rest, Don’t you cry no more” – tomo outro gole – bela voz ela tem. Depois disso sosseguei um pouco, voltei para o Colorado. Participei da Batalha do Caldeirão, mas foi para defender minhas terras. Passado isso, montei minha igreja. Um dia, entrou um homem vestido de sobretudo preto novo, chapéu e botas da mesma cor. Seu rosto era diferente, estranhamente não consigo recordar dos traços dele. Contou-me mais sobre os Abominações, Serviçais, Manitous e Algozes, disse mais sobre um chamado divino que eu tenho e que Troy e o sr. Bishop haviam voltado a vida. De novo voltei a minha vida de pistoleiro. Em meio a essa peregrinação, encontrei o jovem Steve, passando fome e sendo espancado por um fora da lei que dei cabo dele. Acolhi esse jovem, cuidei e ensinei tudo o que sei para ele. Hoje é meu braço direito. Ainda não encontramos os dois desgraçados depois que voltaram a vida. – arrumei-me na cadeira – Meus objetivos aqui com vocês, caso me aceitem é claro, será caçar esses desgraçados, as Abominações, Serviçais, Manitous, Algozes e toda a sorte de criatura que o inferno cuspiu para a terra. Além é claro de juntar uma quantia boa de dinheiro para cuidar de minha igreja além também de cuidar da srta. Sabrina, hoje ela reside em minhas terras – tomo outra dose – Não John, ela não é mais prostituta e eu também não estou mais trapando com ela, sou Padre e aceitei minha vida de castidade. Então, essa é minha história, o que o senhor me diz? – Falo por fim inclinando-me e olhando-o atentamente. Ele esboça um sorriso sincero, toma um gole, dá uma tragada em seu cigarro – Bem vindo sr. Robert Bishop à Agência, aqui termos uma função que o senhor irá gostar…

“Que Deus abençoe meus caminhos e minhas balas” – penso por fim fazendo o sinal da cruz…

Leia o 1° BG aqui: Deadlands: Background #02 – Hernando

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